quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

PROJETOS DO METRÔ 1968 E PALÁCIO MONROE

Muita gente até hoje pensa que o responsável pela demolição do Palácio Monroe, foi a construção do metrô, nos anos 1970. Trata-se de uma inverdade propagada na época para desviar o fato de que os militares e arquitetos modernistas não gostavam do edifício. Esse tema é abordado no documentário Crônica da Demolição.
A imagem abaixo é do Estudo de Viabilidade Técnica e Econômico do Metrô do Rio de Janeiro, publicado em 1968, percebam que desde então o traçado do metrô já fazia uma generosa curva para adentrar a estação Cinelândia, que seria na diagonal em relação a praça, até mesmo por que para o metrô prosseguir até a estação Carioca e evitar ter que demolir o Teatro Municipal, a estação Cinelândia teria que ficar nesta posição.
Os trens do metrô possuem 130 metros de comprimento, suas curvas precisam ser abertas de tal modo a possibilitar o trafego dos trens de forma harmoniosa, apesar de toda a técnica e engenharia estarem a favor do Monroe, a vontade politica falou mais alto.

O trailer do documentário citado  pode ser visto aqui: https://www.youtube.com/watch?v=AG4KXc2raog

BILHETE MÚLTIPLO 10 VIAGENS - 1997

Esse é um bilhete múltiplo usado pelos passageiros que adentravam o sistema metroviário do Rio de Janeiro nos anos 1990. Em 1997, a tarifa unitária era de 1 real, havia ainda um desconto de 20 centavos com o bilhete Carioquinha, custando então 80 centavos.
A tarifa Metrô + ônibus integração era de R$ 1,40. Metrô + Trem custava R$ 1,45 e a tarifa Metrô + Barcas, R$ 1,70.
No ano anterior, em 1996 existia ainda um bilhete múltiplo de 12 viagens por R$6,50, quando o unitário era R$ 0,60 centavos, o que rendia um desconto para quem comprasse esse bilhete múltiplo. Em 1996 também existiu o mensal, que custava R$13,50.
Infelizmente hoje em dia não há qualquer tipo de desconto para quem compra múltiplas tarifas adiantado. O Rio de janeiro andou pra trás nesse aspecto tarifário.

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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Nos primórdios da CTC. O projeto de 1959 de implantação dos trólebus da Zona Sul

Por Marcelo Almirante


No dia 25 de novembro de 1959 são embarcados os primeiros três trólebus, números 2, 4 e 6, na cidade de Genova -Itália, pelo navio nacional “Lóide Haiti”, desembarcados no porto do Rio de Janeiro em 20 de dezembro de 1959. A conclusão da entrega dos 200 trólebus encomendados estava prevista para dezembro de 1961.
Projeto do traçado e rede das linhas de trólebus (acervo Marcelo Almirante)





No final de 1959 a instalação da rede aérea bifilar já estava concluída entre o Centro e o Mourisco, em Botafogo, faltando ainda a conclusão das subestações retificadoras. Os veículos, fabricados pelo consórcio Fiat – Alfa Romeo, em Milano, com a parte elétrica da CGE Italiana, possuíam 11,11 metros de comprimento (entre para-choques), 2,50 metros de largura, peso vazio de 9,9 toneladas, lotação para 47 passageiros sentados, 45 em pé, mais motorista e trocador, motor com potência de 150 HP.

O modelo de trólebus escolhido pela Comissão Julgadora, entre os veículos apresentados nas propostas, foi o modelo “Montevidéu”, já em operação na cidade de mesmo nome, em função de sua excelência, já comprovada, nos itens técnicos e de conforto.

No ano de 1962, Rio de Janeiro aderia aos trólebus. Mas a entrada da cidade nesse tipo de serviço foi marcada por dificuldades e fatos inusitados, a começar por um acidente quando os veículos italianos Fiat/Alfa Romeo/General Eletric eram desembarcados no Porto. Em lotes diferentes, a cidade havia adquirido 200 veículos, mas um deles caiu no mar.  Se não bastasse isso, por falta de pagamento de taxas, 164 veículos ficaram retidos no Porto ao relento por mais de um ano. Muitos se deterioraram e tiveram de ser restaurados.

Na foto abaixo vemos um desses trólebus trafegando em 1962 na praia do Flamengo. Trata- se da primeira linha de trólebus do Rio, a linha E-1 (Erasmo Braga - Rui Barbosa), inaugurada em setembro daquele ano.


Trólebus na linha E-1 (foto Arquivo Nacional, enviada por Marcelo Almirante)

domingo, 1 de outubro de 2017

Primeiros serviços de ônibus no Rio de Janeiro

  Em novembro de 1905 iniciou se, em Paris a circulação de um ônibus, por ocasião de uma exposição de automóveis.

  Em Julho de 1906, durante a gestão do prefeito Pereira Passos, ele decretou uma decisão, passando a isentar de impostos a todos quanto se propusessem a fazer trafegar, no Distrito Federal, ônibus automóveis destinados unicamente ao transporte de passageiros e cargas, enquanto no mês de Agosto, surgia a primeira linha de ônibus motorizado, na França, pela Compagnie Générale des Omnibus de Paris. 
Ônibus Daimler de 12 hp - 1903
  Dois anos depois, em 1908, surge a primeira linha de ônibus movido a combustão do Brasil, por iniciativa do Dr. Octavio da Rocha Miranda, ligando o Passeio Público à Praça Mauá pela Avenida Central (hoje Rio Branco).
  Em 1912 a população do Rio era de 975.818 habitantes. A alta demanda e a necessidade de rapidez faz com que os veículos de tração animal caiam em desuso, os bondes elétricos já circulam nas principais linhas de desejo da cidade. Quem precisasse ir mais longe utilizava os trens da E.F.C.B ou as barcas da Companhia Cantareira.
  O  serviço de ônibus  se expande, aumentando as linhas de transportes. Em 1918, por iniciativa do inglês H.L. Wheatley, passaram a circular ônibus elétricos. No início dos anos 1920, a cidade conta com 1.157.873, segundo o Anuário Estatístico. O ônibus motorizado é aperfeiçoado e permite assim uma concorrência com os bondes elétricos, mas só no fim da década de 1920, o ônibus a combustão começa a ser cada vez mais adquirido pelas companhias de transporte, contudo, no fim dos anos 1930, ele fazia apenas 5% das viagens feitas diariamente no Rio de Janeiro, tendo em vista que a maioria dos deslocamentos se dava nos trens que iam para as cidades lindeiras e nos bondes que atendiam ao Centro, Zonas Norte e Sul.

Miniatura representando o primeiro ônibus que rodou no Rio de Janeiro

  Atualmente  o método de transporte mais utilizado na região metropolitana do Rio de Janeiro é o transporte por ônibus. Somente na cidade do Rio de Janeiro existem cerca de 8300 ônibus desempenhando as mais de 400 linhas municipais, transportando cerca de 3 milhões de passageiros/dia. 
Ônibus que atualmente circula no Rio de Janeiro (modelo Caio Apache Vip Mercedes Benz OF 1721)

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Dos Objetivos deste Museu Virtual

O Rio de Janeiro, assim como outras metrópoles do mundo, deve o seu desenvolvimento a diversos fatores, dentre eles a capacidade de seus habitantes atingirem as diversas regiões da cidade.
Copacabana foi desbravada pelo bonde, as barcas fizeram Niterói ficar mais perto do Rio, os ônibus chegam a todos os lugares da região metropolitana, os trens desenvolveram  a baixada fluminense e nos anos 1970 o metrô encurtou todas as distancias passando por baixo do centro financeiro da metrópole.

O transporte figura, junto com a saúde, segurança, educação e habitação, como um dos serviços essenciais a sociedade. Todos dependem do transporte, seja para estudo, trabalho, lazer, doença, e até na hora da morte. Sempre estamos nos deslocando de um ponto A para um ponto B.

A falta de cultura preservacionista muito prejudicou a memória dos sistemas de transporte nas metrópoles brasileiras. Ao contrário de lugares do mundo que preservaram seus primeiros bondes, seus primeiros ônibus e até navios, no Brasil, muita coisa foi parar no lixo, no ferro velho, sumiu ou virou sucata. A sociedade brasileira carece de espaços dedicados a memória de um serviço tão presente no desenvolvimento de suas cidades.

O Rio de janeiro foi capital do Brasil durante 197 anos (de 1793 a 1960) neste período, o tecido urbano da cidade mudou muito e conjuntamente as cidades de seu entorno que hoje configuram a região metropolitana. Para esse desenvolvimento foi fundamental a evolução de cada tecnologia, de cada modal e seus respectivos administradores, diretores e proprietários que aqui neste espaço também serão lembrados.

O Museu Virtual dos Transportes Públicos RJ é uma iniciativa de preservação, que tanto necessitamos em um país cuja memória e história precisam ser continuamente estudados em prol de uma população mais culta, mais presente e  mais a par de sua história.

Desejo a todos um bom aproveitamento dos textos e imagens aqui depositados com todo amor e carinho que tenho pelo tema transportes, ao qual estudo e acompanho desde pequeno.

Com votos de vida longa e difusão da informação

Atilio M. Flegner

Barca "Primeira"

    A Barca Primeira

   Por Atilio Flegner
   Em 1905, quando esta foto foi batida, a barca "Primeira" já estava em operação há 43 anos. Ela foi inaugurada em 29 de junho de 1862, juntamente com as barcas "Segunda" e "Terceira" (a primeira de seu nome) numa grande cerimônia que contou com a presença de toda Família Imperial e dos mais proeminentes membros da corte.
   A embarcação possuía duas proas, movidas a vapor e propulsão de rodas de pás nas laterais.Com capacidade para 300 passageiros,  podia ainda  transportar cavalos e veículos de tração animal. As três embarcações foram encomendadas por Thomas Rainey, diretor da Companhia Ferry, e em 1889 foram adquiridas pela Companhia Cantareira & Viação Fluminense.
   Uma curiosidade: a "Primeira" foi a barca que fez o traslado entre o Cais Pharoux e a Ilha Fiscal na noite de 9 de novembro de 1889, durante o famoso Baile da Ilha Fiscal, que marcou o fim da monarquia brasileira. A barca até mesmo figurou na famosa pintura mural de Aurélio de Figueiredo que retratou a festança.

PROJETOS DO METRÔ 1968 E PALÁCIO MONROE

Muita gente até hoje pensa que o responsável pela demolição do Palácio Monroe, foi a construção do metrô, nos anos 1970. Trata-se de uma in...